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Barão de Melgaço tem alternativa para o turismo

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Moradores, empresários e produtores rurais de Barão de Melgaço (110 km da capital) estão em busca de fomentar a economia por meio do turismo rural na região do Pantanal. Para isso, eles promoveram na última sexta-feira (23) a 3ª edição do evento Turismo Rural: Barão Sustentável, com a participação de representantes da comunidade local e do poder público. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) integrou a programação com a participação de técnicos da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento dos Municípios do Vale do Rio Cuiabá.

Barão de Melgaço é uma das principais cidades do Pantanal mato-grossense, porém ainda pouco explorado do ponto de vista turístico. É do supervisor local da Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Hudson Paes, a iniciativa do projeto de fomento ao turismo rural. Ele defende o programa como forma de desenvolver a região, preservar o meio ambiente e resgatar a cultura local.

A técnica legislativa Margareth Pozzobon, que participou da 3ª edição do evento, destacou que a ALMT tem como prerrogativa legislar e pode propor projetos que viabilizem o programa. Além disso, Margareth lembrou que a Frente Parlamentar para o Desenvolvimento dos Municípios do Vale do Rio Cuiabá voltará a Barão de Melgaço para discutir com os municípios da região diversas demandas.

A Frente Parlamentar é presidida pelo deputado estadual Eduardo Botelho (PSB), autor também do Projeto de Lei (PL) n° 310/2016 que define as atividades turísticas que especifica o "Turismo Rural na Agricultura Familiar". A iniciativa é para regulamentar a criação de políticas que viabilizem a atividade turística, como linhas de crédito e capacitação.

O presidente da Colônia de Pescadores Z5, Domingos Antônio de Oliveira, 48, explica que os profissionais da região também atuam como agentes turísticos com os pescadores amadores que praticam pesca esportiva. “Sempre que dá, a gente atende os visitantes, acompanha na pesca como ‘piloteiro’. É um jeito de ganhar um dinheiro extra”. Mas ele explica que falta capacitação para atender o turista dificulta a interação dos visitantes às belezas da região. “Seria muito bom se a gente fosse treinado para falar sobre a região, saber onde levar os turistas”.

Mais do que complementação de renda, o turismo rural também pode incrementar a produção da agricultura familiar. É o que espera o produtor Sebastião Taques de Amorim, 60, que cultiva abóbora, mandioca, feijão, entre outros alimentos, e vende em Cuiabá. “Minha propriedade está apta a receber turistas e ainda poderia aumentar minhas vendas”.

Um dia especial

Durante todo o dia, os participantes puderam degustar os sabores da culinária pantaneira, apreciar belas paisagens e, ao final, discutir e dar sugestões para concretizar o projeto. Logo cedo, os participantes abriram a programação com um café da manhã na comunidade Buritizal, com direito a pão caseiro, bolo de queijo e outras delícias locais.

Ainda no período matutino aconteceu a cavalgada rural e, em seguida, uma palestra sobre crédito rural, alimentação saudável e produção agroecológica, para capacitar os proprietários da região. “Achava que nunca seria possível fazer turismo rural, mas temos o lugar perfeito, só precisamos de ajuda do poder público”, explicou o aposentado Silvio Arruda, 65.

Logo após a capacitação, um almoço legítimo para os participantes com sarapatel, peixe frito na hora e quibebe de abóbora. À tarde, foi feito o trajeto de volta para a cidade e, no encerramento, todos participaram de um debate sobre as alternativas para implantar o sistema na região.

O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) -especialista em Ecoturismo, Ferdinando Filetto, afirmou que as dificuldades enfrentadas em Barão de Melgaço são as mesmas que outras cidades passaram até que o turismo rural fosse uma realidade. “Me encantei por este lugar e me coloco à disposição para ajudar no projeto.”

O assessor parlamentar Caio Andrade contou o exemplo do estado do Ceará, que saiu da crise depois da implantação do turismo rural no interior. “Temos que nos associar, fortalecer e utilizar esses exemplos como guia”.

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