Rua mais antiga de Cuiabá ganha projeto de revitalização

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“O embelezamento da rua e a sua adequação já é um primeiro ponto que vai mudar a cara daquela que foi a primeira rua oficial de Cuiabá”, afirma Francisco Vuolo, secretário de cultura, esporte e turismo de Cuiabá, sobre o lançamento do projeto de revitalização do Beco do Candeeiro.

Vuolo e o prefeito Emanuel Pinheiro, aproveitaram a reinauguração do Museu de Imagem e do Som (MISC) para apresentar o projeto de restauração do Beco do Candeeiro, no centro histórico de Cuiabá.

O chefe da Pasta, além de relembrar a importância histórica do lugar, ressalta a necessidade de buscar tratar o problema das pessoas em situação de rua e dependentes químicos, que é uma realidade de Cuiabá.

De acordo com o último levantamento realizado pela Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Humano (SMASDH), a Capital possui mais de 400 pessoas em situação de rua e extrema vulnerabilidade, sem contas os que já foram resgatados e vivem em casas de apoio, albergues e comunidades terapêuticas.

Desde 2015, funciona em Cuiabá o Programa Consultório na Rua, em uma van um grupo de profisisonais da saúde, como dentistas, assistentes sociais, psicólogos e médicos circulam pela cidade atendendo essas pessoas. A coordenadora do programa, a assistente social Vera Lúcia Ferreira, contou que geralmente atende cerca de 180 pessoas na região do Beco do Candeeiro.

Mayke Toscano/Hipernoticias

morador de rua/cpa

 Foto ilustrativa

Ela relata que, entre as pessoas que buscam atendimento, estão os moradores de rua que geralmente são dependentes químicos e muitas prostitutas da região. “Nós não buscamos retirar eles das ruas, oferecemos atendimento clínico para ajudar. Respeitamos a vontade deles, que muitas vezes é permanecer como estão”.

Ainda de acordo com a SMASDH, é muito difícil ter dados exatos da quantidade de pessoas em situação de rua, principalmente em locais específicos, pois essas pessoas migram muito. Não são realizadas remoções compulsórias, a ajuda para os moradores de rua só é realizada quando eles manifestam interesse.

Caso esse interesse aconteça e a pessoa não tenha problemas com vícios, a equipe busca identificar suas famílias e as encaminha o lar. Quando são de outras cidades, os familiares são localizados, a Prefeitura expede a passagem e a pessoa pode voltar à sua origem.

Na Capital, existem três albergues e a capacidade de cada um é de abrigar apenas 50 pessoas cada. Esses locais, oferecem acolhimento provisório, refeições, banho e dormitórios. Esses albergues são mistos e não representam moradia permanente para os abrigados. Por não haver separação entre masculino e feminino, mulheres que moram na rua, resistem em irem para os abrigos por não se sentirem seguras em albergue com homens.

Vale ressaltar também que nos casos de moradores de rua com vícios em álcool ou drogas, o Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece tratamento em clínicas especializadas em dependência química. Esses dependentes costumam ser encaminhados ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e para algumas Casas de Amparo que são parceiras da Prefeitura.

Ainda não há informações sobre o destino dos moradores do Beco, após o início das obras de revitaliazação.

“Infelizmente nem a Prefeitura e nem o Governo do Estado sabe o que fazer. A questão da dependência química, a questão dos moradores de rua, simplesmente não sabem o que fazer. Eles querem fazer alguma coisa para grego ver e fazer uma maquiagem ali no Beco do Candeeiro e vai continuar a mesma coisa, não vai mudar nada. Se não tiver uma política real sobre a dependência química no estado de Mato Grosso e em Cuiabá, não vai ter o que fazer e ainda vai continuar a mesma coisa”, desabafou um ex-depentende que não quis se identificar.

Alan Cosme/HiperNoticias

beco do candeeiro

 Beco do candeeiro

A Prefeitura de Cuiabá informou que vem promovendo mutirões de cidadania. Durante as ações, os moradores de rua recebem atendimento jurídico, médico, emissão de documentos, encaminhamento para mercado de trabalho e inserção nos programas sociais, como Bolsa Família. Além de serem distribuídos kits de higiene pessoal, refeições, corte de cabelo e banho.

Nas ruas de Cuiabá existem pessoas de outros estados, dependentes químicos, pessoas que cresceram e não conhecem outra vida, são pessoas que muitas vezes têm filhos ou fogem de alguém, como um ex marido agressor e simplesmente não têm mais para onde ir.

Francisco Vuolo contou será formado um grupo de responsáveis para atuar na recuperação e amparo das pessoas naquela região. Ele citou Raul Lázaro, um dos integrantes do Núcleo Hip Hop em Ação, e também de pessoas da Universidade Federal de Mato Grosso que realizam trabalhos de psicanálise e acompanhamentos com dependentes químicos.

“A ideia é, ao longo desse processo de contratação da empresa e do início das obras,  formar um grupo de ação envolvendo a sociedade para que o objetivo principal seja alcançado: que é não só termos o Beco recuperado com essas condições de ideais em termo de embelezamento, mas principalmente as pessoas que estão ali possam ter o amparo necessário para a sua recuperação e a gente possa mudar o ambiente que hoje infelizmente não é ideal para aquela região”.

Fonte: Hipernotícias